Bordados desejos,
Tecidos beijos
Adormecidos,
Despidos,
Pintados, que vejo
Em ti.
Abotoados ensejos,
Cosidos trechos
Silenciados,
Velados,
Rompidos, que deixo
Para ti.
"Meaningless", In the Passing Light of Day, Pain of Salvation
Physics of Gridlock - Pain of Salvation
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sábado, 26 de novembro de 2016
Do Oculto
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terça-feira, 11 de outubro de 2016
Da precipitação
És o que ficou.
O que não fugiu.
Que não calou,
Que não se viu.
És o que nunca foi.
O que se pensou.
Que me corrói
Mas não gelou.
És o que fez de mim
Quem passou e se deteve,
Quem diz que sim,
Quem nunca se conteve.
És quem não se perdeu
Na água turva.
És o que não morreu
Na primeira chuva.
"Physics of Gridlock", Road Salt II, Pain of Salvation
O que não fugiu.
Que não calou,
Que não se viu.
És o que nunca foi.
O que se pensou.
Que me corrói
Mas não gelou.
És o que fez de mim
Quem passou e se deteve,
Quem diz que sim,
Quem nunca se conteve.
És quem não se perdeu
Na água turva.
És o que não morreu
Na primeira chuva.
"Physics of Gridlock", Road Salt II, Pain of Salvation
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domingo, 10 de fevereiro de 2013
Do verbo
"São só cartas",
dizia eu,
"mortas".
Eram fotografias,
na realidade.
Escritas,
é verdade,
mas minhas
e, por conseguinte,
vozes de câmara escura.
Tive de guardá-las
com a doçura
de quem guarda balas
no corpo.
Cada sopro,
estupro,
homem,
lágrima e grito
e medo do além
que visito
é um tiro escrito,
à espera de imagética.
E agora, como então,
parece cruel
fazer esperar as palavras.
"Postcard", Grace for drowning, Steven Wilson
dizia eu,
"mortas".
Eram fotografias,
na realidade.
Escritas,
é verdade,
mas minhas
e, por conseguinte,
vozes de câmara escura.
Tive de guardá-las
com a doçura
de quem guarda balas
no corpo.
Cada sopro,
estupro,
homem,
lágrima e grito
e medo do além
que visito
é um tiro escrito,
à espera de imagética.
E agora, como então,
parece cruel
fazer esperar as palavras.
"Postcard", Grace for drowning, Steven Wilson
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
Da busca
Tocar.
Iluminar.
Entender.
Escurecer.
Amar,
Beijar de olhos fechados,
Embargar as lágrimas,
Dizer que vazio fica,
Arder por dentro,
Silenciar.
Fechar os olhos.
Não querer dormir,
Não querer parar
De andar
Até encontrar
Nesse beijo de meia noite
E estrelas
E olhos fechados
O meu próprio perdão.
"Road Salt" , Road Salt One, Pain Of Salvation
Iluminar.
Entender.
Escurecer.
Amar,
Beijar de olhos fechados,
Embargar as lágrimas,
Dizer que vazio fica,
Arder por dentro,
Silenciar.
Fechar os olhos.
Não querer dormir,
Não querer parar
De andar
Até encontrar
Nesse beijo de meia noite
E estrelas
E olhos fechados
O meu próprio perdão.
"Road Salt" , Road Salt One, Pain Of Salvation
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Da frequência das notícias
Escrevo, pouco pensando.
Escrevo pouco, pensando.
Escrevo sempre desconfiando,
Escreveria sempre, desconfiando;
Desconfio tanto, contudo,
que escrevo pouco,
porque desconfiando, penso.
E pensando, desconfio
sempre, sempre do pensar.
Sentindo, penso pouco.
Desconfio na medida do ser,
penso um pouco rouco,
enferrujado e sem querer.
Crio e recrio o espontâneo,
Esqueço o que planeio,
e saio para comprar tabaco
que nunca fumei,
sem saber quando voltarei.
________________________________________________
Escrever é ter saudade. De mim, das palavras, de ser só, de ter saudade.
Estou em viagem, e este é um postal.
Não tenho saudade, mas as palavras que foram a minha única família em momentos únicos precisam de saber que estou vivo para elas.
"Arte quis ser vida" , Nada é Possível , Supernada
Escrevo pouco, pensando.
Escrevo sempre desconfiando,
Escreveria sempre, desconfiando;
Desconfio tanto, contudo,
que escrevo pouco,
porque desconfiando, penso.
E pensando, desconfio
sempre, sempre do pensar.
Sentindo, penso pouco.
Desconfio na medida do ser,
penso um pouco rouco,
enferrujado e sem querer.
Crio e recrio o espontâneo,
Esqueço o que planeio,
e saio para comprar tabaco
que nunca fumei,
sem saber quando voltarei.
________________________________________________
Escrever é ter saudade. De mim, das palavras, de ser só, de ter saudade.
Estou em viagem, e este é um postal.
Não tenho saudade, mas as palavras que foram a minha única família em momentos únicos precisam de saber que estou vivo para elas.
"Arte quis ser vida" , Nada é Possível , Supernada
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quarta-feira, 8 de julho de 2009
Efeméride
Aproveito para dizer,agora que reparei, que este blog fez um ano de existência há duas semanas.Não,ainda não o vou fechar.
Ainda vou tendo comentários,seguidores e assunto esporádico para tratar.E é um lugar que ainda visito todos os dias e que,portanto,ainda me é importante,até porque foi um sucesso.Não por nada do que acabei de dizer,e nem sequer pela efeméride,porque como dizia o Rego "Apagar o blog não destrói o que nele é contido.Apenas apaga a prova física da sua existência.",pelo que ele existirá sempre,quanto mais não seja,em mim.É um sucesso,porque este blog é uma parte de mim,exposta,finalmente,pelos meus termos.Cada post é uma nova forma de ser eu,cada post é um novo homem que transporta o anterior para uma nova vivência e um novo existir.Porque é aqui que nunca me resigno.
"Beneath the myre" , Ghost Reveries , Opeth
segunda-feira, 9 de março de 2009
Poemário
Para escrever um poema,
não preciso ser pomposo.
Preciso de um tema,
um mote generoso.
Posso usar palavras caras,
mas se lhes tenho amor,
não posso vendê-las.
Tenho de lhes dar asas,
sem rancor,
sem medo de tê-las.
Para escrever um poema,
não posso querer escrevê-lo.
Um poema não é um poema,
é antes uma prosa sem apelo.
É um pouco do meu ser apalavrado,
que ganha forma,enquadrado,
em métricas despropositadas,
em semânticas inusitadas.
Para escrever um poema,
devo desprezá-lo.
Expulsá-lo de mim,
libertá-lo.
Deixá-lo ser, assim,
mais um poema livre,
que poderia ter sido
a prosa de um livro,
ou um ideal esquecido.
Para escrever um poema,
devo ter em mente regras,
para melhor as rasgar sem que tema,
ás cegas,
quebrá-las ou fazer cumprir.
Devo deixar-me ir.
Esquecer a gravidade
dos corpos,
o calor da cidade
ou o frio dos campos.
Para escrever um poema,
devo pensar o sentimento,
sentir o pensar.
Devo chorar contentamento,
sorrir o pesar.
Secar o pranto,
elevar o canto
e terminar,
como quem pede para ficar
mais um pouco a meditar.
Para escrever um poema,
devo acabar,
um homem um pouco melhor,
que ao começar.
"Wish you were here" , Wish you were here , Pink Floyd
terça-feira, 1 de julho de 2008
Escrita sem dia
Guardei a tua carta.
A tinta farta,
a letra decidida,
acometida
por (entre)linhas
tortas, como as minhas.
A semântica tímida,
escondida
entre os meus olhos
e o teu coração,
entre os sonhos
e a razão.
A saudade
de quem parte
á vontade,
por essa folha sem arte,
para escrever o que pensou,
o que um dia se dirá que mudou.
A saudade sem medo,
convicção,cego credo,
que o logo
chega cedo
e não fica cá.
Se me escreves de lá,
de onde me esperas,
se não exasperas
pelo viver que te criou,
é porque és as quimeras
do ser quem sou.
"Cartas de amor", Quarteto moderno
A tinta farta,
a letra decidida,
acometida
por (entre)linhas
tortas, como as minhas.
A semântica tímida,
escondida
entre os meus olhos
e o teu coração,
entre os sonhos
e a razão.
A saudade
de quem parte
á vontade,
por essa folha sem arte,
para escrever o que pensou,
o que um dia se dirá que mudou.
A saudade sem medo,
convicção,cego credo,
que o logo
chega cedo
e não fica cá.
Se me escreves de lá,
de onde me esperas,
se não exasperas
pelo viver que te criou,
é porque és as quimeras
do ser quem sou.
"Cartas de amor", Quarteto moderno
terça-feira, 24 de junho de 2008
Sozinho na multidão
Eis-me aqui, numa encruzilhada de lugares comuns.
Primeiro texto em onda self-titled, como as boas bandas de antigamente; o nome, em si, é o reflexo do que tenho vivido na blogosfera, embora seja o mais provável destino de alguém que começa um blog: sozinho na imensidão de tipos que escrevem blogs. Mas creio que, sobretudo, é uma declaração de intenções, separar-me de um blog que marcou 4 anos e meio da minha vida, onde partilhei alguns dos meus mais profundos anseios e mais sentidos regurgitares de alma, com o pretexto de ser uma comunhão de grupo, quando na verdade tudo era quase igual. Quase. Chega de fotografias saudosas e deprimentemente alegres, deliciosos dizeres repetidos num dia-a-dia longínquo e celebrações de amizades ora efémeras, ora eternas. Chega disso tudo. Se estou e caminho sozinho, então declaro-me sozinho. No hard feelings.
"Unhealer" , Angl , Ihsahn
Primeiro texto em onda self-titled, como as boas bandas de antigamente; o nome, em si, é o reflexo do que tenho vivido na blogosfera, embora seja o mais provável destino de alguém que começa um blog: sozinho na imensidão de tipos que escrevem blogs. Mas creio que, sobretudo, é uma declaração de intenções, separar-me de um blog que marcou 4 anos e meio da minha vida, onde partilhei alguns dos meus mais profundos anseios e mais sentidos regurgitares de alma, com o pretexto de ser uma comunhão de grupo, quando na verdade tudo era quase igual. Quase. Chega de fotografias saudosas e deprimentemente alegres, deliciosos dizeres repetidos num dia-a-dia longínquo e celebrações de amizades ora efémeras, ora eternas. Chega disso tudo. Se estou e caminho sozinho, então declaro-me sozinho. No hard feelings.
"Unhealer" , Angl , Ihsahn
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